BOP!

Victor E. Folquening escreve, você lê e diz alguma coisa

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Nome: Escritório de Gestão Integrada
Local: Curitiba, Paraná, Brazil

Grupo de gestores para soluções estratégicas nas Faculdades Integradas do Brasil

Domingo, Janeiro 04, 2009

Férias em São Francisco




Fotos com celular. Estou curtindo cada vez mais. Há uma desculpa para serem ruins. Na topo, Alex, meu irmão João Felipe e a noiva, Damares. Embaixo, figuras barrocas na Igreja Nossa Senhora da Graça, cuja fundação original, como capela, é do século 16. S. Francisco do Sul é a terceira cidade mais antiga do Brasil.

Segunda-feira, Dezembro 15, 2008

OUTRAS DO VALÊNCIO!





Fotos que eu tirei do Valêncio Xavier durante algumas de nossas reportagens. Na primeira, ele está na capela da Fazenda Fortaleza, em Castro, acho que imitando um padre. Na segunda, Valêncio e a fotógrafa Luciana Motta (vai ser mãe, em breve!), numa das cachoeiras que a gente dava um jeito de colocar no roteiro da matéria (mesmo que a história nada tivesse com cachoeiras). A Lu usa uma camiseta minha, lembro agora, para se proteger do frio: não estava lá muito quente, mas isso não impedia os mergulhos do velhinho. A terceira, Valêncio e uma arqueóloga - puxa, não lembro o nome dela - identificando pinturas rupestres em algum lugar entre Ponta Grossa e Guarapuava (santa distância, Batman!).

Sexta-feira, Dezembro 05, 2008

Valêncio!


Sábado, Agosto 23, 2008

O FUTURO, QUEM DIRIA?

Essa foto horrorosa (mas adorável) é do dia da minha Primeira Comunhão. Aliás, minha e do Benet. Eu sou o cara vestido de mordomo de filme de terror. O Benet é o cantor romântico. Do meu lado, Ricardo Humberto, hoje um dos maiores artistas gráficos do país; naquela época, só o irmão do Benet e colecionador de discos tipo Vyper e Wasp. Na sombra do Ricardo, o João Felipe - que amargava o sofrimento de ser o caçula do grupo, meu irmão e desdentado. Hoje é gestor de uma das maiores multinacionais do país, respeitado pela habilidade com logística e recursos humanos. Mal terminou o MBA, virou professor a preço generoso dessas pós-graduações para executivos. E eu e o Benet, que agora temos crises regulares de niilismo, tirávamos sarro dele.
De qualquer forma, dá uma felicidade olhar para essas caras...

Quarta-feira, Julho 30, 2008

NOVA POSTAGEM NA 91 ROCK! E fotos de antigamente!

Descobri umas fotos de trabalho, antigonas, e vou me expor ao ridículo publicando.
**
Essa imagem aí deve ser do Rodolfo Bührer. Registra a noite em que Ciriaco e Baiano, os dois "seguranças" do então prefeito Jocelito Canto, resolveram atirar nos jornalistas. Jocelito havia discutido com o então repórter do Estado do Paraná Osny Gomes (agora no Sindicato dos Jornalistas) durante uma festa que estreiava a Münchenfest. O quiprocó levou todo mundo a passar a noite apertado nos corredores da 13a, famosa delegacia da cidade. Em primeiro plano, meio dormindo, a Denise Angelo (hoje assessora do Pequeno Príncipe) entrevista Pedro Sebastião, que era chefe de gabinete do prefeito. Eu pareço o Caio Jr ali atrás. Depois de mim, Giovani Ferreira, escorpiano que agora milita na Gazeta do Povo. O drama da confusão ainda ressoava, mas, como não poderia deixar de ser, a repórter de TV precisa sempre mostrar simpatia. Acho que a irreverente Chris Chernobay é repórter no Oeste do estado, agora.

Terça-feira, Julho 15, 2008

ANÚNCIO!



Everaldo preencheu o anúncio com pressa. Não tinha o que fazer no resto do dia, mas sempre foi terrivelmente ansioso. Quer se livrar das coisas, até daquelas que deseja muito. Vai ao cinema ver um filme, aquele filme!, e fica torcendo para que seja bem curto. Mesmo que espere um século pela estréia, leia todas as críticas e até monitore as fofocas de produção, quando enfim entra no cinema... a coisa toda já deveria ter acabado!
Então, já que resolveu colocar o anúncio, passar por isso, deveria ser breve. Também acha que pensar muito no assunto lhe torna caprichoso demais. E, portanto, improdutivo. É quase um lance de sorte: pode ficar ridículo e pode ser o bilhete premiado.
Mas a pressa não ajudou, nem mesmo naquilo que considera seu forte: escrever bem e corretamente. Um pequeno erro, menor até do que o estilo “jovial” e “divertido” que adotou para disfarçar o desespero, tornou a história muito estranha.
O anúncio deveria ser:

Homem quase na meia idade, que com bondade pode ser
considerado charmoso, procura mulher inteligente e com tudo em cima.

Assinou com um pseudônimo – na verdade, o único elemento do texto que demorou para sair de sua cachola. Ele pensou em Adam, para homenagear o protagonista de Sete Noivas para Sete Irmãos, mas compreendeu o quão nerd esse tipo de batismo pode soar. Cogitou também Aladim e Simbad, que não pareciam tão ridículos nos primeiros segundos. O nome precisava soar másculo, mas sensível. Alguma coisa forte, sólida, e ao mesmo tempo sugestiva de um certo ar de abandono. Bom, isso eliminava os candidatos Pescoço, Satã e Navalha, que preenchiam apenas a primeira parte. E riscava em absoluto Pedrinho e Rex, mais convenientes para a outra qualidade. Chegou a uma conclusão simples. Deveria ser um nome diferente do seu, mas que não mentisse. Não poderia ser um nome-qualidade, tipo Batatinha ou Dengoso, pois se sentiria uma coisa.
Então assinou Heveraldo.
Ah, tem o erro. Um erro de digitação, por assim dizer, embora o formulário do jornal tenha sido preenchido com uma caneta Bic preta, mascada na ponta e amarrada por um barbante grudento.
Ficou assim:

Homem quase na meia idade, que com bondade pode ser
considerado charmoso, procura mulher inteligente e com tufo em cima.

Tufo?
O fato é que esses malditos classificados funcionam. No domingo, o telefone tocou. A mulher se apresentava como “Talita”, tinha uma voz bonita e convenientemente hesitante (não parecia uma respondedora calejada). Marcaram para se encontrar no café. Antes de desligar, a garota fez uma confissão.
“Então... preciso contar uma coisa, para que nosso relacionamento não comece com mentiras... meu nome é Thalita”.
Everaldo pensou em lembrá-la de que já haviam se apresentado e até temeu que ela sofresse de, sei lá, Alzheimer. Debitou na conta do nervosismo e até sentiu prazer com a confusão. Adora pessoas um pouco atrapalhadas. Thalita esperou um pouco e
“E você? Sei que quer me dizer seu nome”.
Ah, ela sacou que Everaldo usava pseudônimo. É inteligente a mardiçoadinha!
“Tá, vou confessar... meu nome é... Everaldo”
“Ah, ah! Você é tão engraçado!”
Qual é o problema com meu nome?, ele pensou.
Quarenta minutos depois, Everaldo estava lá, sentado de costas para a porta, esperando. Uns dois anos sem namorada era demais, até mesmo para alguém econômico como ele.

(continua).

* Ah, essas fotos são de S. Francisco do Sul e arredores, no final de semana. Foram feitas com meu celular.

Sexta-feira, Julho 11, 2008

BUDD BOETTICHER! ASSISTA!

Finalmente vi um filme de Budd Boetticher.

Dou um tempo aqui na série sobre musicais porque é como se um desejo antigo tivesse se realizado.

A Paramount lançou no Brasil uma caixa com filmes produzidos pela Batjac, a lendária companhia de John Wayne. No meio, Sete Homens Sem Destino (Seven Men From Now, 1956), dirigido pelo ex-toureiro Boetticher.

Você pode comprar cada uma das obras separadamente, ao custo médio de R$ 32,00.
Vale cada centavo. Ou o triplo.

A fama do filme não é imerecida. É o tipo de coisa que procuro no cinema e está cada vez mais difícil de achar.

78 minutos de um roteiro esplêndido, simples, despretensioso e, assim mesmo, cheio de camadas de interpretação. O homem do texto é Burt Kennedy, um camarada que foi herói de guerra, caladão e, ao que parece, o complemento do egocêntrico e amalucado Boetticher.

Os atores são perfeitos. Não é preciso falar muito de Randolph Scott, que faz o vingador silencioso em busca dos sete bandidos que mataram sua mulher. É o típico papel de Scott: honesto até a medula, sem nenhuma afetação. Um macho, sensível e distante, mas um macho do Oeste.

A mocinha é Gail Russell, que fez fama com No Rastro da Bruxa Vermelha e outro filme mais antigo, O Fora-da-Lei, ambos com John Wayne - um amigo de toda a vida. Uma vida bem curta, diga-se de passagem. Como Judy Garland, Russell se tornou alcoólatra por não suportar a pressão do trabalho em estúdio. Foi descoberta antes dos 18 e levada para Hollywood sem nunca ter cogitado ser atriz. A bebedeira fechou as portas para a garota, que chegou a ser considerada a mulher mais bonita do cinema. Aos 36 anos, amigos a encontraram morta, cercada de garrafas de vodca, num apartamento minúsculo e miserável em Los Angeles.

Mas o "cara" de Seven Men From Now é Lee Marvin, personificando um dos melhores vilões da história. É tão estranho que chegamos a gostar dele. Tem alguma coisa afeminada nos seus gestos, acentuada por uma echarpe verde escolhida pelo próprio Marvin. Por outro lado, não há dúvidas da sua masculinidade. O melhor de tudo é que aceitamos um sutil código de ética entre Marvin e Scott. Eles são inimigos, mas parece que Masters, o bandido, admira seu oponente a ponto de parar um instante antes da ação e assistir os pequenos gestos do cowboy.

Duas cenas estão entre as melhores coisas que já vi no cinema. A abertura: uma caverna em que dois bandoleiros se protegem da chuva. Scott chega e explica que está a pé (os índios roubaram seu cavalo para comer) e começa a falar do massacre de Palm Springs. Ouvimos tiros, mas a imagem já é dos dois cavalos, amarrados lá fora. Em seguida, vemos o mocinho montado em um deles e carregando o outro. Mais tarde, o equino sobressalente servirá para um acordo com os indígenas.

(Lembra um de meus diálogos favoritos, este de Era uma Vez no Oeste: três bandidos, montados, vão receber Charles Bronson na estação de trem. Dizem que vieram pegá-lo, mas a intenção, é óbvio, é matar o gaiteiro-atirador. "Parece que está faltando um cavalo para você", diz um deles. Bronson retribui: "Na verdade, estão sobrando dois").

A outra cena é a do diálogo na carroça. Mais tarde descobri que é a cena favorita tanto do roteirista Kennedy quanto do próprio Budd. Marvin se encanta por Russell. Ele percebe que o viúvo Scott também arrasta a asa para a mulher, casada com o (aparentemente) molengão que conduz a parelha para Los Angeles. Lee Marvin começa a contar uma história fictícia que é, ao mesmo tempo, uma "dica" que ele está percebendo o clima entre a mulher e Scott, uma forma de humilhar o cocheiro e uma belíssima cantada na dona. A tensão é tão grande que ficamos ansiosos para que acabe logo. Grande cinema!

Os críticos levantam, assobiam e batem palmas para o duelo final. Um triunfo da economia e, como disse um comentarista nos Extras do DVD, uma morte que mais parece um balé. "Ele realmente sabe como morrer", disse a respeito do camarada que perde o duelo.

Sete Homens Sem Destino (cujo título em português o confunde com o clássico Sete Homens e Um Destino, refilmagem de Os Sete Samurais - mas não tem nada a ver) é um filme honesto, inteligente, grande diversão, maravilhosamente escrito, dirigido e interpretado. Não tem frescura - sem câmeras lentas, zooms, p&b misturado com cores, travellings de um quilômetro ou qualquer recurso fácil de "estilo".

É um dos maiores filmes da história do cinema.

***

Não posso deixar de comentar as entrevistas com Clint Eastwood e Quentin Tarantino nos Extras. Eu acho Tarantino um mala e não tenho medo de dizer que ele não acerta faz tempo. Digamos, desde Pulp Fiction. O resto de sua filmografia é uma curiosa paródia de si mesmo, com grande momentos mas evidentes problemas de ritmo e narrativa. Uma espécie de M. Night Shyamalan, que, aos pedaços, sugere um cineasta genial. Mas quando vemos o todo, não deixa de parecer amador. Ambos são cineastas de dois filmes. Tarantino com Pulp Fiction e Jackie Brown. Shyamalan com Sexto Sentido e Corpo Fechado. Todos os outros filmes da dupla são legais, merecem ser vistos, mas lembram trabalho de escola. Deve ser por isso que os nerds adoram tanto os dois.

E quando você vê Tarantino, ansioso, cuspindo, falando pelos cotovelos, e do seu lado há o irônico e discreto Eastwood, sabemos muito bem qual dos dois é grande.
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A foto lá no topo, da cena na caverna, é p&b, mas o filme é colorido, magistralmente fotografado por William H. Clothier, um camarada que aprendeu seu ofício com Jospeh von Stenberg.